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Em projetos de infraestrutura e energia, a autorização de supressão vegetal costuma ser um dos pontos mais sensíveis do licenciamento ambiental.

Quando o processo não é estruturado desde o início, a falta de planejamento integrado entre licenciamento e cronograma de obras pode gerar atrasos que impactam diretamente a viabilidade do empreendimento.

Sem autorizações prontas no momento em que a obra precisa avançar, o projeto enfrenta paralisações que comprometem cronograma, orçamento e, em muitos casos, contratos já firmados com fornecedores e clientes.

Neste artigo, você vai entender onde estão os principais riscos no processo de supressão vegetal, por que esses atrasos raramente são imprevisíveis e como estruturar o planejamento para garantir que as autorizações estejam prontas quando o empreendimento precisar delas.

Continue a leitura e confira!

 

O que é a Autorização de Supressão Vegetal e quando ela é exigida

O governo federal define a Autorização de Supressão de Vegetação (ASV) como o instrumento que disciplina os procedimentos de supressão de vegetação nativa em empreendimentos de interesse público ou social submetidos ao licenciamento ambiental.

Qualquer atividade que envolva a supressão de vegetação nativa depende de autorização, seja qual for o tipo da vegetação (mata atlântica, cerrado e outras) e o estágio de desenvolvimento (inicial, médio, avançado ou clímax).

A ASV está diretamente vinculada ao processo de licenciamento ambiental. Em projetos de infraestrutura e energia, ela costuma ser solicitada durante a fase de Licença de Instalação (LI), pois é nessa etapa que as obras de implantação do empreendimento se iniciam.

Porém, em alguns casos, a ASV pode ser necessária ainda na fase de Licença Prévia (LP), quando há necessidade de abertura de trilhas e acessos para realização dos estudos ambientais.

A competência para emissão da ASV varia conforme a localização e o tipo de empreendimento. O IBAMA é responsável por empreendimentos licenciados em nível federal, como grandes hidrelétricas, rodovias interestaduais, ferrovias e portos. Já empreendimentos de impacto regional ou local são licenciados por órgãos estaduais ou municipais. 

A ASV não é uma formalidade administrativa. Ela exige estudos técnicos consistentes, inventário florestal, plano de supressão e, em muitos casos, programas de manejo de fauna associados.

Quando esses elementos não são estruturados com antecedência, o processo trava justamente no momento em que o empreendimento precisa avançar.

Por que a supressão vegetal costuma ser subestimada no planejamento inicial

Em muitos empreendimentos de infraestrutura, a supressão vegetal é tratada como uma etapa secundária do licenciamento.

O foco inicial da equipe técnica costuma estar na obtenção da Licença Prévia (LP) e, posteriormente, da Licença de Instalação (LI). A ASV, por sua vez, passa a ser vista como “mais uma autorização” que será resolvida ao longo do processo.

Essa visão fragmentada gera consequências diretas no cronograma de obras.

E então, quando a ASV não é planejada de forma integrada ao licenciamento, surgem situações como:

  • Inventários florestais realizados às pressas, sem profundidade técnica adequada
  • Descoberta tardia de espécies protegidas ou ameaçadas de extinção na área de supressão
  • Identificação de interferências em Áreas de Preservação Permanente (APPs) que não foram mapeadas previamente
  • Necessidade de manejo de fauna que não foi dimensionado no cronograma inicial

Esses fatores geram complementações, revisões técnicas e, em alguns casos, exigências adicionais do órgão ambiental que poderiam ter sido evitadas com planejamento antecipado.

Para o gestor ambiental, isso significa pressão interna crescente. Para o diretor de operações, significa atraso no início das obras e impacto direto no CAPEX.

Os principais fatores que geram atrasos e exigências inesperadas

A maior parte dos atrasos relacionados à supressão vegetal não ocorre por imprevisibilidade do órgão ambiental. Eles acontecem porque aspectos técnicos críticos não foram mapeados adequadamente durante o planejamento do licenciamento.

Entre os principais fatores que geram exigências inesperadas estão:

Espécies protegidas ou ameaçadas de extinção

Nas áreas passíveis de uso alternativo do solo, a supressão de vegetação que abrigue espécie da flora ou da fauna ameaçada de extinção, segundo lista oficial publicada pelos órgãos federal ou estadual ou municipal do Sisnama, ou espécies migratórias, dependerá da adoção de medidas compensatórias e mitigadoras que assegurem a conservação da espécie.

Quando espécies protegidas são identificadas apenas durante a análise da ASV, o órgão ambiental pode exigir medidas adicionais de compensação, programas específicos de monitoramento ou, em casos extremos, revisão do projeto para evitar interferências.

Interferências em Áreas de Preservação Permanente (APPs)

Área de preservação permanente é a área protegida nos termos dos artigos 4º, 5º e 6º da Lei Federal nº 12.651/12, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas. 

Projetos que interferem em APPs enfrentam análise técnica mais rigorosa e podem exigir estudos complementares, medidas de compensação ambiental e, em alguns casos, autorizações específicas adicionais.

Áreas não mapeadas ou dimensionadas incorretamente

Quando o inventário florestal é realizado sem rigor técnico, o volume de vegetação a ser suprimido pode ser subestimado.

Isso gera inconsistências entre o que foi autorizado e o que realmente precisa ser suprimido, obrigando o empreendedor a solicitar aditivos à autorização ou, em casos mais graves, enfrentar autuações por supressão além do autorizado.

Necessidade de manejo de fauna não dimensionado previamente

O manejo de fauna – que envolve afugentamento e resgate de animais silvestres durante a supressão – costuma ser exigido como condicionante da ASV.

Quando essa exigência não é antecipada, o empreendimento precisa estruturar equipes especializadas, obter licenças de captura e transporte de fauna e organizar logística de campo em cima da hora, o que gera atrasos adicionais.

A importância do inventário florestal bem executado como base para uma autorização sólida

O inventário florestal é a base técnica para a obtenção da Autorização de Supressão Vegetal.

Ele fornece informações qualitativas e quantitativas sobre a vegetação que será suprimida, permitindo que o órgão ambiental avalie os impactos da intervenção e defina as medidas de controle ambiental adequadas.

Para conseguir a ASV é necessário a realização de inventário florestal e florístico. A presença ou não de espécies ameaçadas de extinção, protegidas por lei, raras e/ou endêmicas são identificadas a partir de um inventário florestal.

Atenção para o que um inventário florestal bem executado deve incluir:

  • Levantamento quali-quantitativo das espécies arbóreas: identificação botânica, famílias, nomes científicos e vulgares, além da quantificação do volume de madeira a ser suprimido
  • Metodologia amostral adequada: a escolha entre censo (contagem de todas as árvores) ou amostragem (medição de uma parte representativa da floresta) é crucial 
  • Análise estatística que comprove confiabilidade: os inventários florestais e florísticos deverão apresentar análise estatística que comprove a confiabilidade amostral
  • Identificação de espécies protegidas ou ameaçadas: fundamental para definir medidas mitigadoras e compensatórias
  • Registros fotográficos e georreferenciamento das parcelas amostrais

Inventários realizados sem rigor técnico geram autorizações frágeis, que podem ser questionadas pelo órgão ambiental ou gerar complementações durante a análise do processo.

Além disso, erros de quantificação podem comprometer a execução da obra, pois o volume autorizado pode não corresponder ao volume real a ser suprimido.


Como integrar o planejamento da supressão vegetal ao cronograma do licenciamento e das obras desde o início

A integração entre licenciamento, supressão vegetal e cronograma de obras é o que garante previsibilidade ao processo. Quando esses três elementos são tratados de forma isolada, surgem lacunas que comprometem a execução do projeto.

A seguir, o que envolve uma abordagem integrada:

Mapeamento antecipado das áreas de supressão durante a fase de LP

Antes mesmo da obtenção da Licença Prévia, o empreendedor pode mapear as áreas que exigirão supressão vegetal e identificar possíveis restrições ambientais.

Esse mapeamento permite antecipar interferências com APPs, unidades de conservação, espécies protegidas e outras restrições que impactam o processo de autorização.

Planejamento do inventário florestal alinhado ao cronograma da LI

O inventário florestal deve ser planejado para ser executado no momento adequado dentro do cronograma do licenciamento.

Se o inventário for realizado muito cedo, pode haver mudanças no projeto que o tornem desatualizado. Se for realizado tarde demais, pode atrasar a obtenção da LI e, consequentemente, o início das obras.

Antecipação das exigências de manejo de fauna

Quando o empreendimento identifica previamente a necessidade de manejo de fauna, pode estruturar equipes, obter licenças de captura e transporte e organizar logística de campo com antecedência.

Isso reduz o risco de atrasos na execução da supressão.

Definição de cronograma de supressão integrado ao cronograma de obras

O cronograma de supressão vegetal deve estar alinhado ao cronograma de obras desde o início do planejamento.

Isso permite que o empreendimento solicite a ASV no momento adequado e tenha a autorização pronta quando a obra precisar avançar.


O papel do manejo de fauna no processo de supressão e como dimensioná-lo corretamente

O manejo de fauna é uma condicionante frequente em autorizações de supressão vegetal, especialmente em áreas com vegetação nativa preservada.

O manejo da fauna está relacionado ao resgate e/ou afugentamento de fauna, que serve para aqueles empreendimentos que estão em fase de instalação ou operação, e que para construção e/ou mineração há necessidade de suprimir a vegetação.

O processo de manejo de fauna envolve duas etapas principais:

Afugentamento

O afugentamento consiste em direcionar os animais para áreas adjacentes seguras antes do início da supressão.

É preciso estabelecer normas e procedimentos de resgate e afugentamento da fauna do local, com acompanhamento de equipe técnica especializada durante as frentes de supressão. 

Resgate

O animal é resgatado quando não tem condições de fugir sem auxílio. Após o resgate, os animais em boas condições de saúde são soltos em áreas seguras, caso necessário, ocorre atendimento veterinário. 

É importante ressaltar que o manejo de fauna ocorre durante a execução da supressão, após a autorização já ter sido emitida pelo órgão ambiental.

Portanto, o manejo de fauna não impacta diretamente nos prazos de obtenção da ASV, mas precisa ser dimensionado corretamente no planejamento operacional da supressão para evitar atrasos durante a execução das obras.

Falhas no dimensionamento do manejo de fauna podem gerar paralisações das frentes de supressão, autuações por maus-tratos a animais silvestres ou descumprimento de condicionantes ambientais.


Como a CSA estrutura o processo de supressão vegetal

A CSA – Case Soluções Ambientais atua na estruturação do processo de supressão vegetal desde as etapas iniciais do licenciamento, com foco na integração entre estudos técnicos, autorizações ambientais e cronograma de obras.

O trabalho da CSA no licenciamento ambiental de projetos de infraestrutura e energia envolve:

Mapeamento antecipado de áreas de supressão e restrições ambientais

Identificação prévia de interferências com APPs, espécies protegidas e outras restrições que podem impactar o processo de autorização.

Elaboração de inventários florestais com rigor técnico

Levantamento quali-quantitativo das espécies arbóreas com metodologia amostral adequada, análise estatística e identificação de espécies protegidas ou ameaçadas de extinção.

Estruturação de programas de manejo de fauna

Planejamento técnico de afugentamento e resgate de fauna, com definição de equipes especializadas, licenças de captura e transporte e logística de campo.

Acompanhamento do processo de ASV junto ao órgão ambiental

Protocolo da documentação técnica, interlocução com o órgão licenciador e atendimento a eventuais solicitações de complementação.

Integração com o cronograma de obras

Alinhamento entre o planejamento do licenciamento, a obtenção das autorizações e o cronograma de execução das obras, garantindo que as autorizações estejam prontas quando o empreendimento precisar delas.

A CSA já conduziu mais de 108 autorizações de supressão vegetal e manejo de fauna em projetos de energia e infraestrutura, com experiência técnica consolidada em licenciamento ambiental de empreendimentos de médio e grande porte.

Contar com uma condução técnica estruturada desde o início do projeto ajuda a reduzir riscos regulatórios, evitar exigências inesperadas e garantir maior previsibilidade ao licenciamento.

Se sua empresa está estruturando projetos de infraestrutura ou energia e precisa de suporte técnico para o planejamento da supressão vegetal, entre em contato com a nossa equipe e saiba como estruturar o processo com mais segurança e previsibilidade!

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